O orgasmo é a culminação do acto sexual, não só no sentido
puramente erótico, da satisfação da libido, mas também no sentido da libertação
de qualquer complexo psíquico, sem qualquer tipo de censura.
Trata-se pois de uma culminação
psicofísica, mediante a qual o homem e a mulher acedem a um êxtase que os
situa, por breves momentos, no âmbito do chamado paraíso perdido terreno. Não
se pode tomar o orgasmo apenas como fonte de fecundação, mas como canalização
do prazer. Durante muito tempo – séculos – a faceta do orgasmo, que atrai o
prazer, foi subvalorizada pelos moralistas numa tentativa de o tornar um dogma,
de modo a concentrar toda a importância na vertente reprodutora – a função
imprescindível para a conservação da espécie.
O orgasmo era um meio e não um
fim. Um meio para que a família crescesse enão um fim para o qual se
direccionava o par humano: o prazer. Tratava-se da mesma diferenciação que se
estabelecia entre o amor como meio e o amor como fim. Hoje em dia, o orgasmo e
o amor são aceites universalmente como fins em si mesmos e não só como meros
meios para a obtenção do mais tradicional dos objectivos: a conservação da
espécie e da família.
O SÉMEN MASCULINO.
O ideal é o que o orgasmo da
mulher e do homem coincidam. Mas isto pode não ocorrer. Geralmente, o homem
experimenta o orgasmo antes da mulher. Durante cada coito, a vagina recebe
normalmente cerca de três centímetros cúbicos de líquido seminal, quantidade
que pode elevar-se até cinco centímetros cúbicos. O sémen é de aspecto leitoso
e a cor situa-se entre o branco e o amarelado. De consistência viscosa, o sémen
coagula rapidamente, tornando-se posteriormente líquido. O seu cheiro é similar
às albuminas básicas, como por exemplo a clara do ovo. O sémen, ou esperma,
contém noventa por cento de água. Trata-se da acumulação de células germinais
formadas pela secreção das glândulas sexuais. Geralmente, numa ejaculação
normal, há cerca de duzentos ou trezentos milhões de espermatozóides, formando
um exército fecundante francamente considerável.
Quando se repete o acto sexual
num curto prazo de tempo, a segunda ejaculação engloba metade dos
espermatozóides que a primeira e se o coito se realizar pela terceira vez os
espermatozóides serão muito menos e assim sucessivamente.
O ESPERMATOZÓIDE.
Observado ao microscópio, o
espermatozóide assemelha-se a um corpo unicelular dotado de uma cauda movível,
de uma longitude aproximada de 0,6 milímetros. É composto por uma cabeça, uma
parte média e uma cauda. Examinado de frente é ovalado, visto de perfil parece
uma grainha de uva. Na parte interior da cabeça do espermatozóide aloja-se uma
substancia nuclear, onde radicam os genes hereditários. A parte média do
espermatozóide inicia-se com um pequeno corpo, que lhe permite a locomoção e a
deslocação por si mesmo. Um espermatozóide é capaz de percorrer, pelos seus
próprios meios, uns quatro milímetros por minuto, sempre e quando, como é
natural, as condições químicas e físicas do líquido que o rodeiam sejam
normais.
O espermatozóide orienta sempre o
seu movimento contracorrente e dirige-se, por sua conta, até às trompas dos
órgãos sexuais da mulher, atraído pela presença do óvulo feminino maduro.
COMO SE FORMA O ESPERMATOZÓIDE.
A formação dos espermatozóides
produz-se regularmente no homem, sexualmente maduro, nos canais seminíferos dos
testículos. O espermatozóide aparece rodeado de um líquido parecido ao sangue.
A forma que adopta o espermatozóide, a princípio, tende a ser alargada, mas, ao
misturar-se com as secreções das glândulas sexuais secundárias e com o líquido
seminal, adquire uma vitalidade extraordinária.
TEMPO DE VIDA.
Se a temperatura incrementa a
capacidade de mobilidade do espermatozóide, contribui por outro lado para
encurtar a sua vida. O espermatozóide conserva o seu poder de mobilidade
durante umas vinte e três horas.
Todavia, é preciso dizer que o
índice de mobilidade do espermatozóide não tem relação directa com o grau de
fecundidade dele resultante, já que as secreções orgânicas e ácidas atacam-no e
matam-no num prazo consideravelmente breve. O espermatozóide não consegue viver
mais de três quartos de hora na mucosa ácida da vagina feminina. Pode, ao
contrário, viver mais de quarenta e oito horas alojado na mucosa alcalina do
colo do útero.
PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO.
O espermatozóide desenvolve-se,
aproximadamente, num prazo de vinte dias. Quando o homem é jovem, mas já
atingiu a maturidade, produz espermatozóides abundantes, mas assim que avança
na idade e chega aos cinquenta, sessenta anos a sua produção reduz-se de forma
considerável. Não obstante, o homem pode chegar aos noventa anos e produzir
espermatozóides de modo a fecundar uma mulher.
O homem utiliza, em geral muito
mais células seminais no decorrer da sua maturidade sexual que a mulher, no
mesmo prazo de tempo. Apesar da configuração distinta, e dado que os órgãos
genitais masculinos e femininos se baseiam em fundamentos originários
semelhantes, o seu desenvolvimento é substancialmente o mesmo.
O ORGASMO MASCULINO.
Acontece quando o homem ejacula o
esperma. Já se disse que o homem alcança o orgasmo com mais rapidez e
facilidade que a mulher, o que é lógico se se tem em conta que a sua excitação
sexual é consideravelmente mais célebre que a da sua companheira.
O homem consegue o orgasmo quase
sempre no primeiro coito. Raros são os casos em que os homens na sua plenitude
sexual não chegam a culminar o acto sexual com o orgasmo. Esta diferença,
existente entre o orgasmo masculino e feminino, advém das características
sexuais de cada sexo e dos factores que influenciam a sua concretização em
diversas épocas.
Por exemplo, um homem cheio de
trabalho, geralmente cansa-se com frequência dos contactos sexuais. Também uma
excessiva acumulação de preocupações diminuiu a apetência sexual e,
inclusivamente, pode determinar uma impotência sexual esporádica.
Há que constatar, deste modo, que
no homem não é apenas uma circunstância que inibe a sua excitação sexual e
dificulta o orgasmo. O facto de manter relações sexuais com mais de uma mulher
pode também ser uma condicionante. Contudo, atinge o orgasmo com mais
facilidade – mesmo quando se liga a mulheres diferentes.
Este tipo de comportamento na
mulher, pelo contrário, pode ser um factor inibitório para o orgasmo, pois não
realizar o acto sexual com o companheiro habitual pode causar algum
desconforto.
A ESTERILIDADE MASCULINA E A
FECUNDAÇÃO.
Quando um casal não tem filhos,
atribui normalmente esse factor à infecundidade da mulher. No entanto, na
realidade nem sempre assim sucede, já que também o homem pode ser o causador da
esterilidade: devido ao seu orgasmo precipitado ou à total ausência de
espermatozóides no sémen masculino.
As inflamações nos testículos
originam muitas vezes gonorreia que, mal curada, redunda no desenvolvimento de
um processo tuberculoso. Doenças como esta determinam quase sempre uma
obstrução dos canais seminais. Esta circunstância, que não impede ao homem a
erecção e realização do acto sexual em si, pode ser a causa determinante da
impossibilidade de fecundação. Quando a esterilidade masculina provém da
ausência de espermatozóides no sémen é algo definitivo. Todavia, nos restantes
casos, pode curar-se mediante tratamento adequado, após o estudo da composição
do líquido seminal, denominado espermograma.
A FECUNDAÇÃO.
A realização do coito propicia a
penetração do espermatozóide no óvulo feminino maduro, fundindo-se com o seu
núcleo. Verificada esta fusão dos genes do pai e da mãe, inicia-se o ciclo
evolutivo da gravidez até ao parto, que resulta na vida de um novo ser.
Os espermatozóides introduzem-se
em grande quantidade na vagina e no útero, mas apenas um consegue penetrar o
núcleo do óvulo maduro; quando isso acontece, este experimenta uma intensa
agitação no seu citoplasma.
A célula atrofia-se sobre si
própria e segrega uma substância líquida, que forma uma espécie de capa de
protecção e que impede a entrada de qualquer outro espermatozóide.
Seguidamente, o óvulo divide-se em duas partes: uma delas forma o núcleo
feminino.
Uma vez introduzido o
espermatozóide no óvulo maduro, solta-se-lhe a cauda e a parte média converte-se
num corpúsculo central, que recebe o nome de centríolo, de tal maneira que a
fibra em espiral, com que se uniu, fracciona-se em pequenos grânulos
denominados mitocôndrias.
Quando adquire um tamanho maior,
a cabeça converte-se no núcleo anterior masculino e, ao mesmo tempo, no núcleo
anterior feminino, que se transforma em cromossoma. Os dois apresentam-se em
forma de disco e subdividem-se nas partes que, sucessivamente, se foram
convertendo no óvulo, distribuindo-se agora por porções iguais nas novas
células.
Este processo origina a formação
do embrião, ou seja, a fusão dos núcleos médios num núcleo completo,
transmitindo-se assim, em partes iguais, as características hereditárias do pai
e da mãe. Contudo, a mãe tem uma intervenção mais constante e decisiva na
criação do embrião, pois é o óvulo (a célula feminina) que proporciona o
citoplasma.
O encontro do óvulo e do
espermatozóide produz-se no terço interior da trompa. Assim que se verifica a
ejaculação do sémen, este penetra na parte posterior da vagina e propicia a
subida dos espermatozóides pela mucosa de que está guarnecida a cavidade
vaginal.
Na marcha ascendente até aos
ovários, a maior parte dos espermatozóides morre. Unicamente os mais
resistentes prosseguem a sua marcha lenta, até morrer (caso não tropecem em
nenhum óvulo maduro no seu caminho),sendo posteriormente devorados pelos
leucócitos.
A partir de agora, trataremos de
falar sobre o período propício para a fecundação, cabendo salientar que a vida
do óvulo maduro saído do ovário se reduz a apenas algumas horas. Tal
circunstância determina que o período de fecundação possível seja muito breve,
dentro do prazo do ciclo menstrual, e nunca mais exista depois de verificada a
ovulação.
Talvez por isso, é muito raro que
uma só união sexual cause uma gravidez, embora às vezes tal aconteça. No
entanto, o normal é que uma mulher só fique grávida depois de ter realizado o
coito inúmeras vezes.
A DESFLORAÇÃO FEMININA.
Quando rompem o hímen a uma
mulher pela primeira vez, como consequência da penetração efectuada por um
pénis, este acto significa que ela foi desflorada ou que já não é virgem (o
termo vulgarmente utilizado). Convém advertir que a desfloração pode ser
provocada artificialmente, sem que a mulher tenha tido contacto sexual com
algum homem e que, inclusive, possa não saber que o seu hímen se rompeu. Essa
rotura possa ser provocada por uma causa física, como, por exemplo, um esforço
físico excessivo.
Normalmente, a desfloração
produz-se no decorrer do primeiro coito efectuado de modo natural, podendo
acontecer que na ocasião só o homem tenha o orgasmo.
O hímen é uma membrana em forma
de anel, de grande elasticidade. Ao ser introduzido o membro viril, o hímen
dilata-se, dada a sua flexibilidade, produzindo dor. Todavia, nem sempre sofre
uma rotura, como sucede no caso dos chamados hímen complacentes.
Se o hímen é duro e carece da
elasticidade normal, não resiste à penetração do pénis e rompe-se em vários
pontos ao mesmo tempo. Essa rotura produz na mulher uma sensação de dor aguda e
pode ser acompanhada de derreamento de sangue. Em todo o caso, dura pouco tempo.
O homem deve actuar com muito
cuidado no decurso do primeiro coito, a fim de não causar uma dor desnecessária
ou intensa e, mais importante, não deixar uma má impressão psíquica na mulher
virgem.
CONQUISTA FÁCIL, CONQUISTA
DIFÍCIL.
As relações entre um homem e uma
mulher, especialmente antes do matrimónio, sempre foram objecto de numerosos
estudos e conclusões por parte de especialistas como psicólogos e
ginecologistas. Não obstante, para que uma relação triunfe não só nas relações
pré-matrimoniais como nas conjugais, é necessário que exista entre ambos uma
absoluta sinceridade, que nada se oculte. Não falamos somente de
características simples como caracter, hábitos pessoais ou costumes, mas também
das atitudes e preferências sexuais.
É preciso não ter medo de
confessar ao companheiro ou companheira os desejos sexuais e os mais profundos
em matéria sexual, pois desse modo, inteirado dos seus desejos mais íntimos,
uma perfeita harmonia reinará entre ambos.
Em muitas ocasiões
particularmente na época actual, quando os tabus caíram em desuso, assiste-se a
uma clara diferença de gostos em matéria sexual. A meta a atingir é uma relação
amorosa-sentimental voluptuosa.
Uma relação de caracter
sentimental ou sexual não é um contrato mas deve conter uma espécie de
cláusula, que estipule os desejos e gostos de cada um traz para a convivência
em comum. A sinceridade, com efeito, é a chave para a felicidade e o prazer
sexual.
O ÓVULO MADURO.
Se observado através do
microscópio, o óvulo maduro apresenta contornos de uma célula redonda, com um diâmetro
aproximado de 0,2 milímetros. A vesícula germinativa, que alberga o cerne do
corpúsculo nuclear, encontra-se um pouco separada do óvulo. É no citoplasma, no
interior do óvulo, que se aloja a vida.
No citoplasma podem observar-se
uns grânulos apelidados de deutoplasma, que ali ficam retidos e armazenados,
possibilitando o crescimento do embrião.
O óvulo aparece rodeado pela sua
parte externa: uma membrana densa de aspecto brilhante, que recebe o nome de
colema, ao redor da qual se forma uma espécie de coroa de células epiteliais.
A OVULAÇÃO.
A pequena célula atrás descrita é
a transmissora da vida. É necessário que o óvulo esteja maduro e em perfeitas
condições de ser fecundado para que se desenrole tudo o processo. Na mulher,
verifica-se, a cada quatro semanas, uma situação regular de ovulação, que
possibilita a saída de um (o normal) ou mais óvulos em cada processo
ovulatório.
No prazo de um ano calcula-se
que, em termos médios, são expelidos dos ovários cerca de doze ou treze óvulos,
em condições de serem fecundados e susceptíveis de conceberem uma nova vida
humana.
Os óvulos saem dos ovários da
mulher a partir da primeira menstruação, ou seja, quando a mulher atinge a sua
maturidade sexual, aproximadamente, e em termos gerais, entre os doze e os
quinze anos de idade.
Quando surge a menopausa, que
normalmente ocorre entre os quarenta e cinquenta anos (sendo impossível de
precisar a idade exacta, visto que em algumas mulheres se apresenta mais cedo
do que em outras), o ovário deixa de libertar óvulos maduros.
Não é costume a mulher
ressentir-se de doenças durante o processo ovulatório. Não obstante, há casos
em que lhe causa uma certa dor. A ovulação produz frequentemente um aumento da secreção
das glândulas que aparecem no colo uterino. Em alguns casos, manifesta-se uma
descida da temperatura durante as manhãs. Em certas ocasiões, a ovulação produz
uma leve perda de sangue.
OVULAÇÃO ANORMAL.
O normal é que o óvulo maduro
libertado do ovário seja acolhido pelos cílios do epitélio tubário, que servem
para segregar um líquido capaz de atrair o óvulo para o seu centro. Quando o
óvulo consegue efectuar o caminho e sair do ovário, podem surgir sérios
transtornos no caso de ser fecundado, pois irá aninhar-se no ovário, na parede
da cavidade abdominal ou na trompa ocasionado uma gravidez extra-uterina, que
pode colocar em perigo a vida da mãe.
DURAÇÃO DE TEMPO DE EMIGRAÇÃO DO
ÓVULO.
O óvulo demora geralmente entre
seis a oito dias para levar a cabo o seu caminho migratório. A operação de
fecundação realiza-se na primeira fase da migração, considerando-se provável que
a fecundação aconteça até passadas doze horas dos óvulos terem sido expelidos
dos ovários.
PROCESSO POSTERIOR À OVULAÇÃO.
Depois de ter liberto o óvulo, o
ovário contrai a sua parede. Circunstância que produz, em certas ocasiões, um
derrame sanguíneo na cavidade folicular. Quando a membrana epitelial se retraí,
engrossa a parede folicular e enruga-se de forma regular na superfície.
As células produzem uma
substância de cor amarela, conhecida pelo nome de luteína, que surge quando se
forma o corpo lúteo (denominado também de corpo amarelo), de cor alaranjada e
brilhante e com um diâmetro de 1,5 a 2 centímetros.
O corpo lúteo mantém-se em
actividade durante dez a doze dias. Durante este prazo, segrega a hormona
folicular e a hormona sexual feminina, ou seja, a progesterona que passa para o
sangue e impede a maturação de outros óvulos. A progesterona desempenha, por
outro lado, a função de dar consistência à parede muscular do útero e de a adaptar
à sua mucosa, a fim de que se possa aninhar nela o óvulo fecundado.
Quando o óvulo não é fecundado,
sofre imediatamente um processo de atrofia do corpo lúteo, perdendo a sua
tonalidade amarela e reduzindo as suas zonas rugosas. Também os vasos sanguíneos
são afectados por um processo de estreitamento muito rápido. É precisamente
este processo de atrofiamentos que dá originem à hemorragia menstrual, mediante
a qual são expulsos do interior os corpúsculos da mucosa do útero ou do seu
colo, que tinham sido preparados para receber o óvulo fecundado. Se o óvulo for
fecundado, o corpo lúteo prossegue o seu processo de desenvolvimento e propicia
a gravidez. Terminando este prazo, a missão do corpo lúteo termina e a placenta
encarrega-se de o substituir e produzir as hormonas segregadas por aquele, até
esse momento.
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